sábado, 3 de mayo de 2008

Uma história de cão


Fotografia do meu Spock.
Meu amigo, meu companheiro de alegrias e penas. Tinha sido abandonado e recolhi-o muito pequenino e desde então só me deu alegrias.

Chegam as férias, e já começo a ver cães abandonados pelas estradas, esfomeados e à procura de um dono desesperadamente. Não há nada mais triste que ver esses pobres animais, devendo buscar comida e água, sozinhos, pensando certamente no que pode haver passado para estarem assim. Andam sem rumo, aproximando-se às pessoas que passam ou correndo atrás de um carro para ver se encontram o dono.
Não posso entender como se pode abandonar um animal, e em particular, em cão. São afectuosos, carinhosos, não esperam nada de nós, senão carinho e um pouco de alimento.
Espero que este pequeno texto faça reflectir os que vão abandonar um cão este verão.

Aqui vai a triste historia de um desses cães

Quando era pequeno, criaste-me, tiveste muita paciência comigo, porque espatifei algumas almofadas e comi alguns dos teus sapatos. Mas fazia-te rir e estava contigo quando estavas cansado e triste.
À noite quando chegavas, contavas-me os teus problemas e eu ouvia-te e tinha pena de não poder fazer nada para te ajudar. Íamos passear e eu gostava de correr pelo campo e tu gostavas de me ver feliz. E eu era alegre porque te via contente.
Cresci e brinquei com os teus filhos que me arrancavam os pelos e me davam beijinhos no nariz.
Mas tu já não querias saber nada de mim. Já não levavas a minha fotografia na tua carteira e quando te perguntavam se tinhas um cão, já não contavas todas essas coisas engraçadas sobre mim como antes. Já não era esse brinquedo peludo, senão um cão adulto e já não te fazia tanta graça.
Já não gastavas dinheiro comigo, nem para me levar ao veterinário. Tudo te parecia demais.
E chegou um dia em que disseste que ias mudar de casa e que nessa casa não havia sítio para mim.
Uma manha, chamaste-me como se fosses-mos dar um passeio, mas eu sabia que desse passeio nunca mais ia voltar.
Quando chegamos, ouvi outros cães a chorar, senti que havia desespero e aflição nessas vozes.
Preenches-te uns papéis e foste embora, sem quase olhares para mim.
Levaram-me para uma jaula onde fiquei preso. Uma senhora muito amável fez-me festas e aí fiquei.
Cada vez que ouvia passos, pensava que eras tu, que tinhas mudado de ideia e que voltavas para me levares contigo outra vez. Que tudo isto só era um pesadelo e que tudo ia ser como antes. Mas não. Não voltas-te.
Uma manhã de primavera, cheia de sol, essa senhora veio-me buscar. Falou comigo com muita meiguice e eu sabia que era o fim.
Olhou para mim com lágrimas nos olhos e disse-me que eu iria para um lugar onde seria feliz para sempre, sem penas, nem dores. Um lugar de paz e de amor. Fui atrás dela, até um local tranquilo e branco.
Com uma seringa, como aquelas que serviam para me vacinar, deu-me uma injecção. Depois abraçou-me e uma lágrima caiu dos olhos dessa bondosa senhora. Eu entrei num sono profundo e o meu último pensamento foi para ti meu dono.

11 comentarios:

ANTONIO DELGADO dijo...

É TRISTE ESTA HISTÓRIA E COMOVE. SÓ QUEM TE CONHEÇA SABE A HUMANIDADE QUE TU TENS PARA COM OS ANIMAIS. JÁ TE VI SOFRER PELO BUBULL E PELA MUCHA. UM CÃO E UMA CADELA QUE TINHAM HISTORIAS BEM DIFERENTES. COM A MUCHA FIZES COM QUE VOLTASSE PARA TRAS NUMA VIAGEM POR TERES PERCEBIDO QUE A CADELA ESTAVA ABANDONADA E EMPERIGO DE VIDA, O QUE ERA VERDADE. REVELOU-SE UM ANIMAL MUITO ESPECIAL, MAS TEVE UM TRISTE FIM E SOFRES-TE MUITO. ESSE SIMPATICO CÃO QUE TENS AGORA TAMBÉM FOI SALVO DE UMA MORTE CERTA EM PEQUENINO...FICO MUITO CONTENTE POR ELE SER TUDO ISSO QUE DIZES. OS ANIMAIS TEM CARACTERISTICAS MUITO ESPECIAIS E QUEM NÃO TEM HUMANISMO PARA OS ANIMAIS NUNCA O PODE TER PARA AS PESSOAS. UM DESTES DIAS TAMBÉM FAREI UMA POSTAGEM SOBRE O MEU CÃO. UM BEIJO MUITO GRANDE.

Ema Pires dijo...

Olá querido António,
Penso que todos os caes têm alguma coisa especial e o seu próprio carácter. Nao há dois iguais. O teu Ulysse é um animalzinho adorável e pai putativo do meu Spock, que apesar de ser bastante maior do que ele, tem-lhe um grande respeito e o Ulysse faz-se respeitar. Nao está às vezes para aturar coisas de miudos, que é como ele vê o Spock.
Fiz esta postagem porque - pelo menos em Espanha - as pessoas compram o caozinho ao menino pelo Natal e quando chega o verao abandonam o pobre animal numa estrada.
É preciso pensar que un animal é uma responsabilidade, nao é um brinquedo. É um ser vivo que sofre e passa frio e fome e nao se o pode abandonar quando chegam as férias.
Muitos beijinhos

Vieira Calado dijo...

Nós, em 1954, no liceu de Faro, adoptamos um cão vadio.
Daí resultou uma emocionante história.
Passados mais de cinquenta anos, quando nos reunimos para confraternizar, um dos temas da conversas ainda é esse cão a que chamamos Merdock.
Assim esse gesto se multiplicasse.
Um abraço

Ema Pires dijo...

Caro amigo,
Pois sim, deveriamos ser mais conscientes de que nao se pode fazer mal aos animais. Parabéns atrasados por essa salvaçao. Os caes vadios sao os melhores amigos.
Volte sempre
Um abraço

Carilisve dijo...

¡Hola Ema!
Triste cuento, pero totalmente real en cualquier parte del planeta.
Muchas personas no son conscientes que se trata de un ser vivo, no de un juguete, que se puede desechar en cualquier momento.
Una cosa es cierta, y tu la mencionas en el comentario anterior, un perro rescatado se convierte en un fiel amigo, quizá los mejores.
He tenido muchos perros, muchos de ellos los habíamos rescatado de las calles y resultaron extraordinarios acompañantes.
Saludos

Ema Pires dijo...

Querido amigo Carilisve,
Gracias por tu visita.
Efectivamente, creo que encuanto haya tantos perros abandonados, no se debería "comprar" un perro´ sobre todo para abandonarlo después, o para utilizar las hembras para procrear hasta que se mueren ya sin fuerzas. Pero todo vale para ganar dinero. Yo NUNCA he comprado un perro, y nunca lo compraré, ni un gato ni ningún otro animal. Son seres vivos y con sentimientos y por lo tanto no se debería comerciar con ellos. ¿has visto que mirada más dulce tiene mi Spock? ¿Quien podría hacerle daño a este animalito? Y a otros como él.
Un beso

Ema Pires dijo...

Querido António,
Obrigada pela visita e pelo comentário. Efectivamente a história é triste, mas é a realidade. E já sabes com sou em relaçao aos animais, sejam caes, gatos ou animais de circo, que também sao arrancados dos seus lugares para divertir o populacho.
Beijinhos

ANTONIO DELGADO dijo...

Viva ema,

Conheço essas histórias dai em relação ao abandono dos animais mas também ao abandono dos idosos. Sabes que aqui, em Portugal, já começou também essa moda?

Gostei muito da foto do teu cão...é mesmo muito bonita.

Um beijo
António

Carilisve dijo...

¡Hola Ema!
Pues si, Spock tiene una mirada muy particular.
Se nota ques muy cuidado y querido.

Ema Pires dijo...

Amigo Carilisve,
Pues creo que es un perro feliz. Y es verdad que en las fotos sale siempre con ese aire tierno y pensador. Pero no sabes lo bien que vive el Señorito.
Un abrazo

C Valente dijo...

Saudações amigas