lunes 12 de octubre de 2009

Viagem por Marrocos (VII) Casablanca

Mesquita Hassan II

Interior da Mesquita

Passeio da Mesquita à beira mar


Ruas de Casablanca







Vendedor de pão no bairro dos Habous




E para terminar um chá de menta com uns bolinhos.

Casablanca (الدار البيضاء addar al-baïda significa em árabe clássico “Casa Branca” (Dar el Beida em árabe dialectal de Marrocos)
Este lugar já era habitado no período paleolítico.
Foram os Romanos, os Berberes e os Cartagineses que fundaram a antiga cidade de Anfa que foi mais tarde totalmente destruída pela frota portuguesa por ordem de D. Fernando (1468). Os habitantes fugiram para a cidade de Salé, perto de Rabat, e a cidade ficou desabitada durante 3 séculos.
Em 1770 o Sultão Mohamed Ben Abadia decide reconstruir a cidade para preservá-la de um desembarque dos portugueses que acabavam de perder a cidade de Mazagan (El Jadida). A cidade é chamada então Dar El Beida (Casablanca). Sempre rodeada parcialmente de muralhas, a antiga Medina foi o lugar original de Casablanca.
Actualmente é uma cidade moderna e muito bonita. Com a sua parte antiga e a sua parte moderna.
Vivi neste lugar durante 30 anos, justamente em Anfa, um bairro situado mesmo à beira do Atlântico. Sempre me lembrarei com saudades deste lugar e do seu povo particularmente acolhedor.
Casablanca e os seus cheiros a jasmim, a flor de laranja, a especiarias; as cores, os jardins e as fontes. E sempre presente, o mar.

domingo 11 de octubre de 2009

Viagem por Marrocos (VI) Rabat

Entrada Palácio real

Torre Hassan (século XII)


Mausoléu Mohammed V





Medina





Rabat (em árabe: الرباط, transliterado como Ar-Ribāṭ) é a capital do Reino de Marrocos. A cidade está situada na costa atlântica, na desembocadura do rio Bu Regreg, que a separa da cidade vizinha de Salé. A história de Rabat começou com um assentamento conhecido como Chellah, na ribeira do Bu Regreg[., no século III a.C.
Rabat é uma bonita cidade, elegante e tranquila.

domingo 27 de septiembre de 2009

Viaje por Marruecos V - FEZ








Fez ( فـاس [Fās], é a terceira cidade de Marrocos, depois de Casablanca e Rabat, com uma população de 946.815 habitantes.

A cidade de Fez a capital da região de Fez-Boulmane.Está situada na província de Fez-Saïss, na prefeitura de Fez-Dar-Dbigeh, na região chamada antigamente Hispana Nova. É uma das quatro cidades imperiais junto com Marrakech, Meknés e Rabat. Está considerada em Marrocos como o centro religioso e cultural do país. A sua famosa universidade de estudo do árabe e da religião muçulmana, converte-a no ponto de passagem de um grande número de estudantes marroquinos.
A cidade está dividida em três zonas, Fez el Bali, a zona antiga, dentro das muralhas, Fez-Jdid, a zona nova, onde se encontra a Mellah, o bairro judeu, e a Ville Nouvelle (Cidade nova), a zona francesa a noroeste da cidade. A Medina Fez el Bali, a maior das duas que tem a cidade, é a maior zona pedonal do mundo, e foi declarada Património da Humanidade pela Unesco em 1981.

As ruas da Medida de Fez el-Bali são um verdadeiro labirinto e um dos maiores lugares medievais que existem actualmente no mundo e as portas e muralhas que a rodeiam potenciam a sua magnificência.

jueves 3 de septiembre de 2009

Viagem por Marrocos (IV) Azrou - Ifrane

Paisagens de Ifrane no inverno (ao fundo o minarete da mesquita)






Cedros


IFRANE إفران o يفرن
AZROOU أزرو‎)

Desta vez só vou deixar aqui umas lindas imagens de Azrou e Ifrane. Povoações do Norte de Marrocos, situadas no médio Atlas. Ifrane está a 1713 m e Azrou a 1500.
Foi em Ifrane que aprendi a andar em ski. São lugares lindos, sobre tudo na primavera onde a água corre em qualquer parte, mas também no inverno, quando tudo está coberto de neve.


Viagem por Marrocos (IV) Azrou - Ifrane

Mercado de Azrou

Cascatas de Ouzoud


Paisagem de Azrou


Macacos que vivem nos bosques de cedros


Se ainda existe alguma pessoa que pensa que Marrocos é um deserto, vendo estas fotografias vai mudar de ideia.
Quando faz frio, não há nada melhor do que entrar num bonito restaurante marroquino e comer um delicioso cuscus.

Cuscus (prato típico de Marrocos)

As mil e uma noites

lunes 31 de agosto de 2009

Viagem por Marrocos (III) Mequinez

Bab el Mansour

Mercado

Fuente

Puerta

Dulces
Mequinez (en árabe: مكناس M'knas, es una ciudad del norte de Marruecos ubicada al pie de las montañas del Atlas Medio. Mequinez se encuentra en medio de un valle verde, a unos 130 km de Rabat, la capital de Marruecos y 65 km al oeste de Fez.

Mequinez es la capital de la región de Meknès-Tafilalet, siendo una de las cuatro ciudades imperiales de Marruecos. La ciudad está situada a 552 m en una de las mejores zonas agrícolas y productivas de Marruecos, lo que la convierte en un punto importante para el comercio, la agricultura, y la artesanía. El sector industrial juega también un papel preponderante en la economía de la ciudad. Las principales industrias son las industrias agroalimentarias, el textil y la producción del cemento y los productos de construcción.
Desde 1996, la Unesco ha designado a Mequinez como parte del Patrimonio de la Humanidad, por su carácter representativo de un complejo urbano y arquitectónico de una capital del Magreb del siglo XVII, que combina de manera armónica elementos de diseño y planificación islámicos y europeos.
Los orígenes de Mequinez se remontan al siglo VIII, cuando en el sitio se construye una kasbah, ou fortaleza. Una tribu Bereber que era conocida como Meknassa se asentó en esa zona en el siglo X y un pueblo fue creciendo alrededor de la fortaleza. Mequinez vivió su época de apogeo como capital imperial del sultán Muley Ismael (1672–1727), durante su gobierno en el Sultanato de Marruecos. Después de la muerte del sultán alauita, la capital fue desplazada a Fez.

domingo 30 de agosto de 2009

Moulay Idriss e Volubilis (Viagem por Marrocos II)

Moulay Idriss
Rua da cidade

Mesquita

Interior da Mesquita

Rua

Volubilis - Arco de Caracalla


Ruinas romanas

Mosaicos
Volubilis (وليلي‎) é uma antiga cidade romana do Norte de Marrocos, situada a uns 33 km a noroeste de Meknez, ao pé do monde Zerhun, e a 4 km de Mulay Idris, a cidade santa de Marrocos. É certamente o jazigo arqueológico romano mais bem preservado desta área do norte de África. Foi incluído na lista do Património da Humanidade da Unesco em 1977. Por outra parte o lugar é espantoso.

A cidade parece ter sido fundada pelos cartagineses no século III a. C. O nome Oulili, pode ser uma deformação de «oualili» ('adelfas' em Berbere – volubilis em Francês). Num certo momento fez parte do reino de Mauritânia e foi uma das capitais reais de Juba II. Após o assassinato do rei Ptolomeu pelo imperador Caligula, no ano 40, Volubilis passa a fazer parte da província de Mauritânia Tingitana e foi governada por duúnviros.
Foi uma cidade próspera que produzia em particular azeite e trigo e devido a essa prosperidade foi dotada de magníficas construções.

viernes 28 de agosto de 2009

Uma viagem por Marrocos I - Chefchaouen

Talvez por ter muitas saudades deste lindo país, ainda não quis falar dele por todas essas recordações que me vêm à memória. Vivi lá quase 30 anos, na cidade de Casablanca.
Marrocos é um país de contrastes, pode-se estar a esquiar na neve de manhã e pela tarde tomar um banho no mar. Passando de paisagens de montanhas a desertos. As paisagens são espantosas.
Também é um lugar cheio de vestígios históricos, de legendas muito antigas, onde convivem o modernismo e os costumes ancestrais.
O povo marroquino é particularmente hospitalário e tolerante. Em Marrocos convivem muçulmanos, judeus, católicos e pessoas de todas as nacionalidades. No vale de Ourika ainda há pequenas aldeias judias.
Tenho de mencionar a deliciosa e sofisticada cozinha marroquina, classificada entre as primeiras do mundo. Uma cozinha mediterrânica, preparada com produtos naturais do país e de excelente qualidade; um verdadeiro deleite para o paladar.
Passear por uma Medina é um verdadeiro prazer para os sentidos, com os cheiros e as cores das especiarias, da flor de laranjeira, do jasmim...
Vou deixar aqui algumas fotografias, começando pelo norte, dando um passeio pelos sítios que eu mais gosto.
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Chefchaouen (شفشاون) é uma cidade do Noroeste de Marrocos situada ao pé dos jebels Kelaa e Meggou, que formam o jebel Ech-Chefchaouen na cordilheira do Rif. Está situada a 600 m de altitude.
No final do século XV os Árabes (Andaluzes) expulsados de Espanha instalaram-se aqui e a cidade prosperou. As casas pintadas de azul dao ao lugar uma impressao de irrealidade.




Nesta aldeia, na época do Ramadão, pode-se comer a melhor Harira de Marrocos. A Harira é uma sopa para cortar o jejum: leva lentilhas, grão, cordeiro, farinha, tomate, coentros, cominhos, curcuma, cebolinho... Uma delícia para o paladar.

jueves 27 de agosto de 2009

NONKAKOS



Encontrei este poeta angolano visitando o seu bloguehttp://poesiangolana.blogspot.com/


Pessoalmente adorei percorrer o blogue e espero que gostem desta poesia que de lá tirei com a autorização do autor.



Era o tempo em que as acácias floriam
garridas cabeleiras sobre as longas avenidas da cidade
e havia a liberdade a despontar no céu da madrugada...
Eu trazia o tempo da nudez no chão da alma
e pisava o ventre da terra com a pureza do coração.
Minhas imbambas eram ventos do leste e sementes
armazenadas nos tijolos da liberdade e construção
do país novo a construir de mãos dadas com o povo...
e agora, aqui nestes corredores frios de civilização,
já não sei andar minha nudez com o chão da alma
sobre o ventre quente da terra rubra-negra.
Doem-me os pés se andar descalço! Civilizei-me!– Dizem! –
Civilizei-me no calçar de sapatos apertados
made somewhere in Global City e fabricados
por mãos humanas pagas com salários de coisa nenhuma.
Os pés da nudez, pedúculos de inocência e liberdade,
perdi-os, troquei-os por todas estas materialidades
que supostamente me deveriam fazer feliz...
Poderá a chuva – riso de Ombera – trazer de novo
a verdade nua de sentir a terra e o pó vermelho
dos caminhos a pintar telas, a tilintar horizontes?
Oh, meu povo Mukubal, guerreiros de liberdade!
emprestai-me vossos velhos nonkakos, como aqueles
que usei nos tempos de minha juventude...
sujos e gastos e cobertos com pó-vida do deserto.
Namibiano Ferreira
pseudónimo de João José Ferreira
Poeta angolano nascido em Namibe.

martes 25 de agosto de 2009

DISCURSO DE BARACK OBAMA



Proferido em Acra, Gana – 12 de Abril de 2009

"África não precisa de indivíduos poderosos mas de instituições fortes.
No séc. XXI a chave do sucesso são as instituições competentes, fiáveis e transparentes – parlamentos fortes e forças policiais honestas; juízes e jornalistas independentes; uma imprensa independente; um enérgico sector privado; uma sociedade civil. São estes os factores que dão vida à democracia porque são eles que têm importância na vida diária das pessoas".
No sábado dia 11 de Abril, o Presidente Barack Obama desembarcou em Acra, Gana, dando início à sua primeira visita oficial a um país africano. No dia seguinte, domingo, ele proferiu perante os mais altos dignitários do país um discurso carregado mensagens e recados para toda a África. Vale a pena ler.

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É para mim uma enorme honra encontrar-me em Acra e dirigir-me aos representantes do
povo do Gana. Estou profundamente grato pelas boas-vindas que recebi, assim como a Michelle, a Malia e a Sasha Obama. A história do Gana é rica, as ligações entre os nossos países são fortes e estou orgulhoso do facto de esta ser a minha primeira visita a África subsaaria-na como Presidente dos Estados Unidos da América. Desejo agradecer à Exma. Presidente do Parlamento e a todos os membros da Assembleia de Representantes o facto de nos receberem hoje. Desejo agradecer ao Presidente Mills pela sua excepcional liderança. Aos Presidentes anteriores - Jer-ry Rawlings, ex-Presidente Kufu-or – Vice- Presidente, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça – obrigado a todos pela vossa extraordinária hospitalidade e pelas admiráveis instituições que criaram no Gana. Dirijo-me a vós no fim de uma longa viagem. Comecei na Rússia, numa Cimeira entre duas grandes potências mundiais. Viajei para Itália, para um encontro entre as economias mais fortes do mundo. E vim aqui ao Gana por uma simples razão: o século XXI será influenciado não só pelo acontecimentos em Roma, Moscovo ou em Washington, mas também pelo que acontece em Acra. Esta é a pura verdade numa era em que as fronteiras entre os povos não resistem à força do que nos liga. A vossa prosperidade pode aumentar a prosperidade da América. A vossa saúde e a vossa segurança podem contribuir para a saúde e segurança mundiais. E a força da vossa democracia pode contribuir para o avanço dos direitos humanos em todo o mundo. Portanto, não vejo os países e os povos de África como um mundo à parte. Vejo África como uma parte fundamental do nosso mundo interligado - como parceira da América em prol do futuro que queremos para todos os nossos filhos. Essa parceria deve ter como base a responsabilidade e o respeito mútuos. E é sobre isso que quero falar-vos hoje. Devemos partir do simples princípio de que o futuro de África depende dos africanos.
Digo isto com plena consciência do trágico passado que por vezes tem ensombrado esta região do mundo. O facto é que corre sangue africano dentro de mim e a história da minha família reflecte, quer as tragédias, quer os triunfos, da história mais ampla de África. Alguns de vós sabem que o meu avô era cozinheiro de ingleses no Quénia e, embora fosse um ancião respeitado na sua aldeia, os patrões chamaram-lhe rapaz durante quase toda a sua vida. Ele estava na periferia das lutas pela libertação do Quénia mas, mesmo assim, naquela época repressiva, esteve preso durante um curto período de tempo.
No seu tempo, o colonialismo não se resumia à criação de fronteiras antinaturais ou de regras de comércio injustas – era algo vivido pessoalmente, dia após dia, ano após ano. O meu pai cresceu a pastorear cabras numa pequena aldeia, a uma distância impraticável das universidades americanas que viria a frequentar. Tornou-se adulto num momento de extra-ordinária promessa para África.
O desenvolvimento depende da boa governação. É esse o ingrediente que falta, há demasiado tempo, em tantos locais. É essa a mudança que pode despoletar o potencial de África. E essa é uma responsabilidade que apenas os africanos poderão assumir quando as lutas da geração do seu próprio pai davam origem a novas nações, um processo que começou aqui mesmo, no Gana. Os africanos estavam a educar-se e a afirmar-se de novas maneiras e a História avançava. Mas, apesar do progresso realizado – e tem havido um progresso considerável em muitas regiões de África – também sabemos que grande parte dessa promessa ainda não se tornou realidade.
Países como o Quénia que, quando eu nasci, tinham uma economia per capita mais importante do que a da Coreia do Sul, foram já largamente ultrapassados. A doença e os conflitos dizimaram regiões do continente africano. Em muitos locais, a esperança sentida pela geração do meu pai deu lugar ao cinismo e, mesmo, ao desespero. É fácil apontar o dedo e atribuir a culpa por estes problemas aos outros. Sim, um mapa colonial que fazia pouco sentido contribuiu para gerar conflitos. O Ocidente tem muitas vezes tratado África com paternalismo, ou como fonte de recursos, e não como parceiro. Mas o Ocidente não é responsável pela destruição da economia do Zimbabué na última década, nem pelas guerras em que crianças são utilizadas como combatentes. Durante a vida do meu pai, foram em parte o tribalismo, o favoritismo e o nepotismo num Quénia independente que durante muito tempo destruíram a sua carreira, e sabemos que este tipo de corrupção é ainda hoje um facto corrente da vida diária de demasiadas pessoas. Claro, também sabemos que há outros factores. Aqui, no Gana, vemos uma face de África demasiadas vezes ignorada por um mundo que apenas vê a tragédia ou a necessidade de caridade. O povo do Gana tem trabalhado arduamente para estabelecer a democracia em bases sólidas e procedeu a várias transferências pacíficas de poder mesmo depois de eleições muito disputadas. E deixem-me dizer que a minoria merece tanto crédito por esse facto como a maioria. E com uma governação melhorada e uma sociedade civil emergente, a economia do Gana demonstrou índices de crescimento notáveis. Este progresso pode não ter a espectacularidade das lutas de libertação do séc. XX, mas uma coisa é certa: em última análise, terá resultados mais significativos, pois se é importante deixar de ser controlado por outras nações, é mais importante ainda construirmos a nossa nação. Assim, acredito que este momento é tão promissor para o Gana – e para África – como foi aquele momento em que o meu pai atingiu a maioridade e em que nasciam novas nações. Este é um novo momento de grande promessa. Só que, entretanto, aprendemos que não serão grandes vultos como Nkrumah e Kenyatta que determinarão o futuro de África. Na verdade, esse futuro será determinado por vós – homens e mulheres no Parlamento do Gana e as pessoas que representais. Serão os jovens – a transbordar de talento, energia e esperança – que poderão reclamar o futuro que tantos outros, em gerações anteriores, nunca chegaram a realizar.
Mas para que essa promessa se cumpra precisamos, em primeiro lugar, de reconhecer a verdade fundamental que no Gana se tornou uma realidade visível: o desenvolvimento depende da boa governação. É esse o ingrediente que falta, há demasiado tempo, em tantos locais. É essa a mudança que pode despoletar o potencial de África. E essa é uma responsabilidade que apenas os africanos poderão assumir. No que respeita à América e aos países ocidentais, o nosso envolvimento deve ser medido por mais do que apenas os dólares que gastamos. Comprometi aumentos substanciais em ajuda a países estrangeiros, o que vai de encontro aos interesses de África e aos interesses da América. Mas o verdadeiro sinal de sucesso não é se somos uma eterna fonte de ajuda que permite a mera sobrevivência das pessoas - é se somos realmente parceiros no desenvolvimento de capacidades que possibilitem a implementação de uma mudança transformadora. Esta responsabilidade mútua deve constituir a fundação da nossa parceria. Hoje centrar-me-ei em quatro temas que são cruciais para o futuro de África e de todas as regiões do mundo em vias de desenvolvimento: democracia, oportunidade, saúde e a resolução pacífica de conflitos. Em primeiro lugar, devemos apoiar governos democráticos fortes e sustentáveis. Como afirmei no Cairo, cada nação dá vida à democracia de uma forma específica e de acordo com as suas tradições. Mas a história oferece-nos um veredicto claro: os governos que respeitam a vontade do seu povo, que governam pelo consentimento e não pela coerção, são mais prósperos, mais estáveis e mais bem sucedidos do que os governos que não o fazem. Trata-se de algo que vai para além da simples realização de eleições – tem a ver com o que se passa no período entre eleições. A repressão pode manifestar-se de diversas formas e em demasiadas nações, mesmo aquelas que realizam eleições, são afligidas por problemas que condenam os seus povos à pobreza. Nenhum país cria riqueza se os seus líderes exploram a economia para se enriquecerem a si próprios ou se a polícia – se a sua polícia é passível de ser comprada pelos narcotraficantes. Não há empresa que queira investir num local onde o governo, à partida, retém 20 por cento dos lucros, ou onde o director das Autoridades Portuárias é corrupto. Ninguém deseja viver numa sociedade em que o Estado de direito é preterido a favor da brutalidade e do suborno. Isso não é democracia; isso é tirania, mesmo se de vez em quando se realiza uma ou outra eleição . E chegou o momento de pôr cobro a este tipo de governação. (No séc. XXI a chave do sucesso são as instituições competentes, fiáveis e transparentes – parlamentos fortes e forças policiais honestas; juízes e jornalistas independentes; uma imprensa independente; um enérgico sector privado; uma sociedade civil. São estes os factores que dão vida à democracia porque são eles que têm importância na vida diária das pessoas.

Uma e outra vez, o povo do Gana escolheu a lei constitucional em vez da autocracia e evidenciou um espírito democrático que permite que a energia do vosso povo se faça sentir. Vemos esse espírito em líderes que aceitam a derrota com dignidade – o facto de os opositores ao Presidente Mills estarem a seu lado ontem à noite para me dar as boas-vindas quando saí do avião foi um gesto muito representativo do espírito que se vive no Gana ; vencedores que resistem aos apelos para fazer valer o seu poder contra a oposição de formas desonestas. Vemos esse espírito em jornalistas corajosos como Anas Aremeyaw Anas, que arriscou a sua vida para contar a verdade. Vemo-lo em agentes da polícia como Patience Quaye, que ajudou a processar judicialmente o primeiro traficante de pessoas do Gana. Vemo-lo nos jovens que levantam a voz contra o favoritismo e participam no processo político. Por toda a África, temos visto muitos exemplos de pessoas que tomam as rédeas do seu destino e iniciam o processo de mudança a partir da base. Vimo-lo no Quénia, onde a sociedade civil e o sector empresarial se juntaram para ajudar a pôr fim à violência pós-eleitoral. Vimo-lo na África do Sul, onde mais de três quartos do país votaram nas eleições recentes - as quartas desde o final do Apartheid. Vimo-lo no Zimbabué, onde a Rede de Apoio às Eleições enfrentou corajosamente uma repressão brutal na defesa do princípio de que o voto é o sagrado direito de cada um. Não tenhamos dúvidas: a História está do lado destes corajosos africanos e não daqueles que fazem golpes de Estado ou alteram as Constituições, para se manterem no poder.
África não precisa de indivíduos poderosos mas, sim, de instituições fortes. A América não procurará impor qualquer sistema de governo a qualquer outra nação. A verdade essencial da democracia é que cada nação determina o seu próprio destino. Mas o que a América fará é aumentar a ajuda a indivíduos responsáveis e instituições responsáveis e o nosso foco é o apoio à boa governação – aos parlamentos, que fazem frente aos abusos de poder e asseguram que as vozes da oposição sejam ouvidas; ao Estado de direito, que assegura uma administração de justiça igualitária; à participação cívica, de forma que os jovens participem; e a soluções concretas que contrariam a corrupção, como a contabilidade forense e a informatização dos serviços, o reforço de linhas directas (hotlines) e a protecção de delatores, de modo a promover a transparência e a responsabilização. E oferecemos este apoio. Incumbi a minha Administração de dar mais ênfase à corrupção nos nossos relatórios sobre os Direitos Humanos. Todas as pessoas, em qualquer parte do mundo devem ter o direito de abrir um negócio ou de obter uma educação sem ter que subornar ninguém.

Temos a responsabilidade de apoiar aqueles que agem de forma responsável e de isolar os que não actuam dessa forma, e é exactamente isso que a América fará. Esta questão conduz-nos directamente à nossa segunda área de parceria: apoiar o desenvolvimento que abre oportunidades a mais pessoas. Não tenho dúvidas de que, com uma melhor governação, África oferece a promessa de uma base mais alargada de prosperidade. Veja-se o extraordinário sucesso dos africanos no meu país, a América. Estão a sair-se muito bem. Têm o talento, têm o espírito empreendedor. A questão que se coloca é: como podemos assegurar que também tenham sucesso nos seus países de origem? O continente é rico em recursos naturais e, desde empresários de telefonia móvel aos pequenos agricultores, os africanos têm demonstrado a sua capacidade e o seu empenho em criar as suas próprias oportunidades. Mas há também que quebrar os velhos hábitos. A dependência de produtos básicos – ou de um único artigo de exportação – tende a concentrar a riqueza nas mãos de uns poucos e deixa os países demasiado vulneráveis aos períodos de declínio económico. No Gana, por exemplo, o petróleo traz grandes oportunidades e o povo do Gana tem sido muito responsável na sua preparação para as novas receitas. Mas como muitos ganenses bem sabem, o petróleo não pode simplesmente transformar-se no novo cacau. Da Coreia do Sul a Singapura, a história mostra que os países se desenvolvem quando investem no seu povo e na sua infra-estrutura ; quando promovem múltiplas indústrias de exportação e desenvolvem uma mão-de-obra especializada e quando criam espaço para pequenas e médias empresas criadoras de emprego. À medida que os africanos tentam realizar este potencial, a América estenderá a mão de uma forma mais responsável. Reduzindo os custos que acabam nas mãos de consultores e administradores, queremos colocar mais recursos nas mãos daqueles que precisam deles, formando-os simultaneamente para serem mais auto-suficientes.
É por essa razão que a nossa iniciativa de mil milhões de dólares para a segurança alimentar, se centra em novos métodos e novas tecnologias para agricultores – e não apenas no envio de produtores americanos ou de mercadorias para África. A ajuda não é um fim em si mesmo. O objectivo da ajuda estrangeira deverá ser a criação de condições que levem a que esta deixe de ser necessária. Quero ver os ganenses tornar-se não só auto-suficientes em termos de alimentação; quero ver-vos a exportar produtos alimentares para outros países e a ganhar dinheiro. Vocês são capazes. (Aplauso.) Por outro lado, a América também pode ser mais activa na promoção do comércio e do investimento. As nações ricas devem, de uma forma mais significativa, abrir as portas aos produtos e serviços provenientes de África. Esta administração empenhar-se-á nisso. E, onde existe boa governação, podemos aumentar a prosperidade através de parcerias públicas e privadas que invistam em melhores estradas e em electricidade; no desenvolvimento de capacidades que ensinem as pessoas a iniciar os seus próprios negócios; e em serviços financeiros que cheguem não só às cidades mas também às zonas pobres e rurais. Isto vem também ao encontro dos nossos interesses – pois se as pessoas conseguirem sair da situação de pobreza e criar riqueza em África, sabem o que acontece? Abrem-se novos mercados para os nossos produtos. Portanto é bom para ambos.

Um sector que implica um perigo inegável ao mesmo tempo que oferece uma extraordinária promessa é o da energia. A África produz menos gases de estufa do que qualquer outra região do mundo mas é o continente mais ameaçado pelas mudanças climáticas. O aquecimento do planeta levará ao alastrar de doenças, à diminuição de recursos hídricos e à fragilização das colheitas, criando condições que produzem mais fome e mais conflito. Todos nós - em particular o mundo desenvolvido - temos a responsabilidade de reduzir o ritmo destas tendências – quer através de uma diminuição, quer de uma mudança, no que respeita à utilização de energia. Mas também podemos cooperar com os africanos com vista a transformar esta crise numa oportunidade. Juntos podemos colaborar em prol do nosso planeta e da prosperidade, bem como ajudar países a aumentar o acesso à energia evitando, saltando sobre a fase mais suja do desenvolvimento. Pensem nisto: em toda a África há uma abundância de energia eólica, solar e geotérmica, bem como de biocombustíveis. Do Vale do Rift aos desertos do Norte de África; da costa ocidental às colheitas da África do Sul – os recursos naturais ilimitados de África podem gerar energia para o próprio continente e, ao mesmo tempo, este poderá exportar energia verde lucrativa para o estrangeiro. Estes passos implicam mais do que simples números de crescimento num balanço financeiro.

Determinam se um jovem com formação consegue um emprego que lhe permita sustentar a família; se um agricultor pode transportar os seus produtos para o mercado; ou se um empresário que tem uma boa ideia pode formar uma empresa. Têm a ver com a dignidade do trabalho. Têm a ver com a oportunidade que deve existir para os africanos do séc. XXI. Tal como a governação é um elemento vital para a oportunidade, também é crucial para o terceiro tema de que quero agora falar – o reforço da saúde pública.

Nestes últimos anos houve um enorme progresso em certas regiões de África. Tem vindo a
crescer o número de pessoas que têm uma vida produtiva apesar de sofrerem de VIH-SIDA e que obtêm os medicamentos de que necessitam. Acabei de visitar uma clínica e um hospital maravilhosos dedicados sobretudo à saúde materna. Mas ainda há demasiadas pessoas que morrem de doenças que já não deviam matá-las. Quando há crianças que morrem devido a uma picada de mosquito, e mães que morrem durante o parto, sabemos que há ainda mais progresso a realizar. No entanto, devido aos incentivos - frequentemente oriundos de nações doadoras - demasiados médicos e enfermeiras de África vão para o estrangeiro, o que é compreensível, ou trabalham para programas centrados numa única doença. Este facto cria falhas nos cuidados primários e na prevenção básica. Por outro lado, as pessoas de África também têm que dar a sua contribuição. As pessoas devem fazer opções responsáveis que evitem a propagação da doença e promovam a saúde pública nas suas comunidades e nos seus países. Assim, por toda a África vemos exemplos de pessoas que enfrentam estes problemas.
Na Nigéria, uma iniciativa inter-religiosa de cristãos e muçulmanos deu um exemplo de cooperação para o combate à malária. Aqui no Gana, e por toda a África, vemos surgir ideias inovadoras com vista a preencher lacunas nos cuidados médicos - por exemplo, através de iniciativas E-Saúde que permitem aos médicos das grandes cidades dar apoio aos médicos que vivem em cidades pequenas. A América apoiará estes esforços através de uma estratégia de saúde abrangente e global, porque no séc. XXI somos chamados a actuar de acordo com a nossa consciência e também com os interesses que temos em comum pois quando uma criança morre em Acra de uma doença que se pode evitar, esse facto diminui-nos em todo o mundo. E quando a doença não é controlada em qualquer local do planeta, sabemos que pode propagar-se através de oceanos e continentes. É este o motivo pelo qual a minha Administração consignou 63 mil de milhões de dólares para responder a estes desafios - $63 mil milhões. Tendo como base os esforços significativos do Presidente Bush, continuaremos a luta contra o VIH/SIDA. A nossa meta é pôr fim à morte devido à malária e à tuberculose, assim como nos esforçaremos para erradicar a poliomielite. Lutaremos - lutaremos contra as doenças tropicais negligenciadas. E não combateremos doenças isoladamente – investiremos em sistemas de saúde pública que promovam o bem-estar e focaremos a nossa atenção na saúde de mães e crianças.

Ao trabalharmos em parceria em prol de um futuro mais saudável devemos também pôr fim à destruição que resulta não da doença, mas da acção dos seres humanos e deste modo, o último tema de que passo a falar é o conflito.

Deixem-me ser claro: África não se resume à simples caricatura de um continente perpetuamente em guerra. Mas, se formos honestos reconhecemos que para demasiados africanos o conflito faz parte da vida, tão constante como o sol. Há guerras em torno de terras e guerras por recursos. E ainda é muito fácil para aqueles que não têm consciência manipular comunidades inteiras e levá-las a combater entre tribos e crenças religiosas diferentes. Estes conflitos são uma pedra à volta do pescoço de África. Todos nós temos várias identidades – tribais, étnicas, religiosas e de nacionalidade. Mas definirmo-nos por oposição a outra pessoa que pertence a uma tribo diferente, ou que presta culto a um profeta diferente, é algo que não tem lugar no séc. XXI. A diversidade de África deveria ser uma fonte de riqueza e não um motivo para divisões. Somos todos filhos de Deus. Todos nós partilhamos aspirações comuns – viver em paz e em segurança; ter acesso à educação e à oportunidade; amar as nossas famílias, as nossas comunidades e a nossa fé. É isto que constitui a nossa humanidade comum.

Por isso mesmo devemos levantar-nos contra a desumanidade praticada entre nós. Nunca é justificado – nunca é justificável alvejar inocentes em nome de uma ideologia. Obrigar crianças a matar em guerras é a sentença de morte de qualquer sociedade. É um sinal irrevogável da criminalidade e da cobardia condenar as mulheres à violentação sistémica e implacável. É nosso dever prestar testemunho ao valor de todas as crianças em Darfur e à dignidade de todas as mulheres no Congo. Nenhuma fé, nenhuma cultura deve perdoar as brutalidades exercidas contra elas. Todos nós devemos lutar pela paz e pela segurança necessárias ao progresso. Os africanos estão a lutar por este futuro. Também aqui, no Gana, vemos como ajudam a apontar para a direcção do caminho em frente. Os ganenses devem estar orgulhosos das suas contribuições para a manutenção da paz, do Congo à Libéria e ao Líbano e pelos esforços feitos no sentido de combater o flagelo do narcotráfico. Congratulamo-nos com os passos que estão a ser dados por organizações como a União Africana e a CEDEAO que visam uma melhor resolução dos conflitos, a manutenção da paz e o apoio aos necessitados. E encorajamos a visão de uma arquitectura de segurança regional forte, apoiada por forças transnacionais eficazes. A América tem a responsabilidade de colaborar convosco como parceira no sentido de fazer progredir esta visão, não só com palavras, mas com um apoio que reforce as capacidades de África. Quando se pratica o genocídio em Darfur, ou existem terroristas na Somália, estes não são problemas apenas africanos – são desafios à segurança global que exigem uma resposta a nível global. E é por esse motivo que estamos prontos a colaborar por meio da diplomacia e de assistência técnica, de apoio logístico, e apoiaremos os esforços para punir os criminosos de guerra. E serei claro: o nosso Comando para África tem como foco não o estabelecimento de uma base de operações no continente, mas sim o combate a estes desafios comuns com vista a aumentar a segurança da América, da África e do mundo. (Aplauso.)

Em Moscovo falei sobre a necessidade de um sistema internacional que respeite os direitos universais dos seres humanos e se oponha às violações desses direitos. Tal sistema deverá ter como base o compromisso em apoiar os que resolvem pacificamente os conflitos, sancionar e impedir aqueles que não o fazem, e ajudar aqueles que sofreram. Mas, em última análise, serão as democracias sólidas, como o Botswana e o Gana, que reduzirão as causas de conflitos e farão avançar as fronteiras da paz e da prosperidade. Como afirmei há pouco, o futuro de África depende dos africanos. Os povos de África estão prontos a reivindicar esse futuro. E no meu país, os afro-americanos – entre estes muitos imigrantes recentes – têm tido sucesso em todos os sectores da sociedade.

Fizemo-lo apesar de um difícil passado e fomos buscar forças à nossa herança africana. Sei que com instituições sólidas e uma grande determinação os africanos podem viver os seus sonhos em Nairóbi e Lagos, Kigali, Kinshasa, Harare e aqui mesmo em Acra. Sabem, há cinquenta e dois anos os olhos do mundo concentravam-se no Gana e um jovem pregador chamado Martin Luther King viajou até aqui, a Acra, para ver a Union Jack descer e a bandeira do Gana ser hasteada. Isto ocorreu antes da marcha até Washington e antes do sucesso do movimento de direitos civis no meu país.

Perguntaram ao Dr. King como se sentira ao ver nascer uma nova nação. E ele disse: Renova a minha convicção no irrevogável triunfo da justiça. Agora esse triunfo tem que ser alcançado mais uma vez e tem que ser ganho por vós.

Dirijo-me em particular aos jovens em toda a África e aqui no Gana. Em países como o Gana os jovens representam mais de metade da população. E eis o que devem ter em mente: o mundo será aquilo que dele fizerem. Têm o poder de responsabilizar os vossos líderes e de formar instituições que sirvam o povo. Podem servir as vossas comunidades e canalizar a vossa energia e educação para criar nova riqueza e construir novas ligações ao mundo. Podem ganhar a luta contra a doença, e pôr fim aos conflitos, e accionar a mudança a partir das bases. Podem fazer tudo isso. Sim, podem porque, neste momento, a história está a avançar. Mas tudo isso só poderá ser feito se todos assumirem a responsabilidade pelo vosso futuro.

Não será uma tarefa fácil. Exigirá tempo e esforço. Haverá sofrimento e contrariedades.
Mas posso prometer-vos o seguinte: a América estará do vosso lado em cada etapa -como um parceiro, como um amigo. No entanto, a oportunidade não virá de nenhum outro lugar – terá que originar das decisões que todos vós tomarem, daquilo que realizarem e da esperança que existe nos vossos corações.

Gana, a liberdade é a vossa herança. Agora, cabe-vos a responsabilidade de construir algo alicerçado nessa liberdade. E se o fizerem, no futuro olharemos para locais como este e diremos que este foi o momento em que a promessa foi cumprida – este foi o momento em que a prosperidade foi forjada, que o sofrimento foi superado e em que foi iniciada uma nova era de progresso. Este pode ser o tempo em que somos, uma vez mais, testemunhas do triunfo da justiça.
Sim podemos.
Muito obrigado. Deus vos abençoe.
Obrigado. Obrigado.

miércoles 22 de julio de 2009

ARCO-ÍRIS (Canção pigmeia)





Encontrei este bonito poema pigmeu que quero partilhar aqui com todos.

Khwa! Yé oh! Khwa! Arco-íris! Oh, arco-íris,
tu que brilhas lá em cima,
tão altopor cima da floresta!
No meio das nuvens negras,
dividindo o céu sombrio,
derribaste aos teus pés,
vencedor na luta,
o trovão que rugia,
que rugia muito alto, irritado.
Estás zangado connosco?
No meio das negras nuvens,
dividindo o céu sombrio,
como a faca que corta o fruto demasiado maduro,
Arco-íris, Arco-íris.
E o trovão matador de homens
fugiu como a antílope da pantera,
fugiu,
Arco-íris, Arco-íris!
Poderoso Arco do caçador dos céus,
do caçador que persegue o rebanho de nuvens,
como um rebanho de elefantes assustados,
Arco-íris, agradece o Todo-poderoso.
Diz-lhe que não se zangue.
Diz-lhe que não se irrite.
Diz-lhe que não nos mate.
Porque temos muito medo,
Arco-íris, por favor.


Traduçao do Francês: Ema Pires

viernes 3 de julio de 2009

Djibuti - O Lago Abhe







Na língua afar, abhé significa “podre”, devido à presença de compostos de enxofre. A paisagem é apocalíptica, com chaminés calcárias, antigas fumarolas marinhas que demonstram a presença de um antigo lago de 6.000 anos.
O lago Abbe está situado numa depressão do Afar, na fronteira entre Etiópia a Oeste e Djibouti a Leste. Recebe as águas do rio Awash mas sendo endorreico não tem escoadouro e o seu nível mantém-se pela evaporação das águas salgadas que formam concreções de sais. Está unido a outros cinco lagos: o lago Afambo, o lago Bario, o lago Gargori, o lago Gummare e o lago Laitali. De origem tectónico, o lago Abbe é relativamente pouco profundo, aproximadamente uns 9 metros.
Geólogos franceses de Djibouti realizaram um estudo exaustivo do lago Abbé que permitiu fazer uma cronologia precisa deste lago. Há aproximadamente 8.000 anos, uma série de sacudidas sísmicas nesta parte do continente desviaram o curso do rio Awash, cujo curso se desviou para Norte para formar outras extensões pantanosas conhecidas hoje como Gargori e Gamarri. Sem água, o lago Abbé secou e as chaminés das profundidades apareceram no meio de um oceano de lama. Parecem torres de uma cidade fantasma. Um mundo assombroso com centenares de chaminés calcárias em forma de agulha e fontes permanentes de água quente.

martes 9 de junio de 2009

Mosi-oa-Tunya (Cataractas Vitoria)




As Cataratas do Zambeze, (cataratas Victoria), cujo nome local é Mosi-oa-Tunya, o fumo que troveja, são um salto de água do rio Zambeze na fronteira da Zâmbia e do Zimbábue. Medem aproximadamente 1,7 km de largura e 108 m de alto. O espectáculo é extraordinário devido ao estreito e insólito abismo onde cai a água.
A jusante das cataratas o rio segue um canhão basáltico de 60 a 120 m de largura, esculpido pelas águas. A profundidade da cima, chamada a Primeira garganta, varia entre 80 m na parte mais ocidental, até 108 metros no centro. A única saída da Primeira garganta é um espaço de 110 m ao longo das cataratas desde a parte oeste, através da qual todo o volume do rio cai nas gargantas das cataratas Victoria.
O tamanho destas cataratas e duas vezes mayor do que as cataratas de Niágara

A Piscina do Diabo
Entre os meses de Setembro e Dezembro, devido aos baixos níveis de água, pode-se nadar de maneira segura na borda das cataratas numa piscina natural à qual se acede através da Ilha Livingstone. Este lugar tão estranho é chamado a Piscina do Diabo e está 100 metros por cima do fundo das cataratas.
Mas por muito que digam que nao há perigo, eu nunca iria tomar banho num lugar assim!!!

martes 5 de mayo de 2009

Pintura de Manuela Noble





Hoje vou deixar aqui uns quadros da minha filha Manuela Noble.
Gosto imenso da sua pintura que nos fala de África através de uma mulher de uma rara sensibilidade que soube captar o exotismo, as cores e as formas africanas. Viveu e cresceu em Marrocos e soube captar a luz tão particular desse magnífico lugar.
Sempre gostou muito de cavalos e é uma magnífica amazona. Os cavalos, símbolos de liberdade, aos que ela dá este tratamento de cores vermelhas, que falam de rebelião e azuis que denotam espiritualidade e paz.
Deixo-o aqui estes quadros para deleite dos que gostarem.


(Estas imagens estao protegidas por direitos de autor)

domingo 26 de abril de 2009

Ruínas do Grande Zimbabwe







As Ruínas do Grande Zimbabwe são os restos de uma antiga cidade do sul de África. Esta foi o centro de uma poderosa civilização conhecida como o Império Monomotapa, um povo de grandes comerciantes. Na actualidade, além de ser um instrumento arqueológico importante, as ruínas são consideradas como santuário nacional do actual Zimbabwe, onde foi encontrado o símbolo nacional do país, o Pássaro de Zimbabwe. O nome de Grande Zimbabwe significa “casas de pedra,”, mas existem três teorias sobre a origem deste nome.
Entre os edifícios mais importantes está um forte no extremo da colina e um templo circular com uma torre cónica de 11 m. de altura. A Grande Zimbabwe foi uma enorme cidade do século XI cuja riqueza provém provavelmente do comércio do ouro. Esta cidade chegou a ter 10.000 habitantes no século XIII. Entre os seus edifícios destaca o palácio real, uma construção de enormes dimensões levantada com pedras e sem cimento, que foi descrita no seu diário de viagem pelo explorador português, Duarte (1517). As estruturas de pedra formam recintos amuralhados, alguns com mais de 10 m. de altura y, por último, neste complexo arqueológico, chama a atenção a Grande Muralha, construída aproximadamente no século XII. Uma importante parte da estrutura arquitectónica da muralha perdeu-se com a passagem dos séculos, embora parece que havia pelo menos três portas de acesso dotadas de dintéis. Nas formações rochosas próximas da antiga capital podem-se ver pinturas rupestres representando cenas de caça, com mais de 35.000 anos. Actualmente é considerado o jazigo arqueológico mais importante de África e o lugar foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO.

domingo 12 de abril de 2009

Maravilhas de Botsuana



Os pans de Makgadikgadi, são vestígio de um imenso lago que cobria antigamente uma grande parte do norte de Botswana. Este lago era alimentado por rios que arrastavam sal proveniente de bacias hidrográficas. Os antigos terraços indicam que a profundidade podia chegar a 33 m. Devido a que a bacia não tinha saída, o sal concentrou-se nas depressões do lago. Por causa de mudanças climáticas acontecidas faz uns 10.000 anos, o lago evaporou-se deixando descobertos os depósitos salinos.
Trata-se do maior complexo de sal do mundo. Estas salinas cobrem 16.000 km2 e formam o leito do antigo lago Makgadikgadi, cuja evaporação se iniciou há vários milénios.
O Okavango, a Noroeste, fez parte do lago Makgadikgadi e é o maior delta interior do mundo. Proporciona um habitat para diversas espécies. Entre elas, elefantes, búfalos africanos, hipopótamos, girafas, crocodilos do Nilo, leões, leopardos, hienas, antílopes, rinocerontes, zebras, javalis… e umas 400 espécies de pássaros.
No entanto, o governo apresou planos para construir uma barragem na região de Caprivi para regular o fluido da água o que poderia ser o fim da vida selvagem e da vegetação do delta.

miércoles 8 de abril de 2009

Arte e Natureza (As tribos do OMO, Etiopia)



As tribos do OMO vivem num grande vale situado entre Etiópia, Sudão e Kénia, por onde passa o rio Omo. Esta região vulcânica do grande vale do Rift, que lentamente se separa de África, oferece uma paleta imensa de pigmentos, ocre vermelho, caulim branco, verde cobre, amarelo luminoso ou cinzento.
Com um corpo esbelto de dois metros de altura este povo dá livre curso aos seus dotes artísticos. A força da sua arte está nas mãos, na velocidade e na liberdade.
O vale baixo do Omo, situada na parte baixa do lago Turkana, foi declarado Património da Humanidade em 1980. Existe neste lugar um jazigo paleontológico entre os mais importantes de África. Contém restos de hominídeos de entre 1,7 e 4 milhões de anos, entre eles os fósseis mais antigos conhecidos do Homo Sapiens, de uns 195.000 anos.



(Fotografias de Hans Silvester)

lunes 6 de abril de 2009

Premio de mi amiga Marisel

Posted by Picasa

lunes 2 de marzo de 2009

O Kilimandjaro





O Kilimandjaro, (do swahili Kilima Ya Njaro, montanha do esplendor), é um vulcão apagado situado a norte de Tanzânia, na fronteira de Kenya. Está composto por três vulcões distintos: o Shira, a oeste, o Mawenzi a leste e o Kibo (neve em swahili), onde se encontra o pico Uhuru – ponte culminante das montanhas africanas, de 5.895 m de altitude. Estes três vulcões fazem parte do grande rift, de 50km, que se formou progressivamente entre 1,8 milhões e 10.000 anos. O Kilimandjaro tem uma superfície de 388.500 hectares.
O cume do Kilimandjaro está coberto por uma calote glaciar (Furtwängler). Esta calote glaciar está actualmente ameaçada de desaparecer devido ao aquecimento climático. Se em 1900, a sua superfície era de uns 12km², actualmente só mede aproximadamente 2 km².
A existência de neves eternas em África foi descrita por geógrafos da antiguidade, como Ptolomeu, mas sempre contestada pelos europeus que pensavam que não se podia formar neve num lugar tão quente? Esquecendo que a cume está a 5 km do solo. Mas só em 1861 é que começaram a aceitar que efectivamente havia neve no Kilimandjaro.

jueves 5 de febrero de 2009

Vulcões de África (V) O Erta'Ale (Etiopia)



Não há vegetação. Quando a formação das bolhas de lava cria uns filamentos finos que parecem cabelos, chamados “Cabelos da Deusa”. É uma espécie de lã de vidro mineral,



O Erta'Ale cujo nome significa «a montanha que deita fumo» é um vulcão escudo situado no triângulo Afar na Etiópia, na depressão do Danakil (até 120 m por baixo do nível do mar). É um vulcão activo de 613 m de altitude com uma base de 30 km de diâmetro.
A cadeia do Erta'Ale, a maior a e mais característica das cadeias axiais do Afã (de norte a sul, mais de 95 km e 42 km de largura), abarca seis edifícios vulcânicos: Erta Alé, Gada Alé, Alu-Dala Filla, Borale Alé, Hayli Gub, Alé Bagu.
Esta zona desértica sem nenhuma vegetação é o domínio das lavas com uma série alcalina completa, desde basaltos e basaltos picriticos (ricos em fenocristais de olivina) até riolitos e traquitos e termas intermediárias.
O Erta Alé é um dos raros vulcões em actividade com um lago de lava em fusão permanente. A cratera Sul tem um diâmetro de 140 m, com uma profundidade de uns 90 metros.

Presentación

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