lunes, 8 de octubre de 2007

Rainhas Africanas



Candace de Meroe (Siglo I A.C.)
Uma Candace era uma rainha na civilização Kushita, (como faraó significava rei no Egipto). Estas rainhas sucedem-se durante vários séculos, o que indica que era um termo genérico aplicado a una dinastia de rainhas de Meroe (Etiópia).
Sabe-se que uma Candace parou o Alexandre Magno (356-323 A.C.) no seu avanço pelo vale do Nilo. Uns séculos mais tarde, o nome desta rainha está mencionado nos Factos dos Apostoles (8:27), por Felipe, que viveu no século I; e Estrabão (63 A.C. - 21 D.C..) fala de uma Candace, uma rainha anterior que se sublevou contra os romanos e foi submetida por estes no ano 22 A.C., quando ocuparam a sua capital, Napata; Plinio o Velho (27 A.C. - 63 D.C.) nos informa que quando os exploradores de Nero (37-68) atravessaram a Nubia, esta região era governada por uma rainha Candace, para além da ilha de Meroe, e indica também que este nome era um título comum para todas as rainhas desse país.
Os historiadores testemunham que estas Candaces ocupavam-se da administração civil, dirigiam exércitos, o comercio e as relações diplomáticas. Algumas vezes cita-se a Candace como a rainha mãe, com poder suficiente para ter a última palavra no processo de selecção do faraó.
A mais conhecida destas rainhas foi a Candace Amanishakheto, rainha do reino sudanês de Napta e Meroe, nos tempos do Imperador Augusto, que se nega a submeter-se e assedia as legiões romanas. No ano 20 a.C. faz uma incursão no Egipto, saqueando todas as cidades por onde passa até Elefantina. Arrestada pelas tropas romanas, solicita a paz e volta para o seu reino, que graças ao tratado concluído entre Amanishakheto e o Imperador Augusto, prospera ainda durante mais de duzentos anos.


Uma página da tradução em antigo núbio do Liber Institutionis Michaelis Archangelis, entre os séculos IX e X, encontrado em Qasr Ibrim. O nome do arcanjo São Miguel está inscrito em vermelho.


O antigo núbio é uma língua hoje quase desaparecida, que foi escrita em Núbia entre os séculos VIII e XV a.C. É uma versão antiga das línguas núbias, que ainda se fala em certas regiões. É provavelmente o antepassado directo do Nobiin, uma das línguas de África com uma história escrita de mais de 1000 anos.

14 comentarios:

ANTONIO DELGADO dijo...

É bonito recordar o poder da mulher em africa em tempos remotos.No ocidente fechados como somos pouco ou nada conhecemos acerca do tema. O nosso etnocentrismo só nos deixa ver o nosso umbigo, quando se ve e pouco mais. Sabemos quea história é selectiva, enaltece aquilo que mais convém a uma ideologia para que a torne mais credivel. Mas é pena por vezes termos visões tão curtas, deste mundo que cada vez é mais globalizado. Porque é que as histórias dele não são também globais? Ao contrario de estarem num tabernaculo fechado a sete chaves e que só uns poucos têm acesso .

Parabéns pelo teu enaltecimento da mulher e no caso particular da mulher africana que tão esquecida e sofredora é nesse imenso continente.

Beijinhos
António

Ad astra dijo...

Ora ai está mais um post de grande qualidade e interesse.
Faz-me aprender reflectir, e eu gosto disto

Carilisve dijo...

¡Hola Ema!
Interesantes datos sobre la influencia de las mujeres en esos reinos.

Cuando las mujeres escriban la historia, seguramente muchas cosas cambiarán y para bien...

Isabel Allende,la reconocida escritora chilena dijo en una oportunidad, "la historia la escriben los machos vencedores, generalmente blancos, y la voz de las mujeres, los derrotados, o los indígenas no figura para nada".

Por cierto, ciertamente la palabra Lagartouille, es una combinación del apodo de mi ahijado "Lagartón" y el plato de la comida francesa "Ratatouille".

Saludos

avelaneiraflorida dijo...

Querida Ema!!!!!

Eu não disse??????
Mais uma série de maravilhas aqui encontro!!!!
Fiz uma cadeira na Faculdade sobre Africa e desde então o "bichinho" ficou cá dentro...

"Brigados" por este post!!!!
BJKs

C Valente dijo...

Aqui respira-se cultura
obrigado
saudações amigas

Siry dijo...

Hola Ema
Me encantó el post de hoy, la participación tan importante de la mujer en la historia. En mi blog sobre Mérida (ciudad donde vivo en Venezuela) existe una Plaza llamada de Las Heroinas, es una historia interesante que postearé en los próximos días.
Si las mujeres tuviesemos un poco mas de oportunidad para mostrar como somos en vez de competir con los hombres sería nuestro mundo más feliz.
Gracias por traernos tan bello material de esas regiones que son un poco desconocidas.
Entiendo perfectamente el portugues.
Un abrazo

Ema Pires dijo...

Olá querido António,
É verdade que, tratando-se de África, devido aos interesses e podemos dizer, do racismo imperante, nao se faz nenhuma publicidade sobre a rica história antiga desse continente, salvo a do Egipto, que dá como a impressao que é outro continente. Mas o Egipto também está em África. Até cheguei a ler nalguma revista que a civilizaçao egipcia era "extra terrestre"!!! Nao podia ser de outra maneira. Os africanos nao sao capazes de construir pirâmides nem templos, nem de fazer magníficas esculturas.
É triste.
Beijinhos

Ema Pires dijo...

amiga Ad Astra,
Obrigada pela visita e pelo teu interesse.
Beijinhos

Ema Pires dijo...

Amigo Carilisve,
Pues tienes toda la razón en decir que al mejor las cosas cambiarían si nos dejasen participar un poco en la política. Lo que pasa es que muchas veces las mujeres que están en el poder imitan a los hombres y ese no es el camino. Debemos seguir siendo como somos, con otra manera de ver y hacer las cosas, aunque les pese a los hombres. Pero me imagino que debe ser difícil.
Este fin de semana estuve con una mujer alcaldesa a quien lke saltaron las lágrimas contando lo que tiene que soportar en medio de sus colegs hombres (estábamos entre mujeres y se nos partió el corazón). Todavía la sociedad no está madura para aceptar a las mujeres en el poder.

Ema Pires dijo...

Olá amiga Avelaneira,
Fico contente que gostes desta série de postagens. Vou continuar com este tema e buscar mais na rica cultura africana, onde tenho as minhas raízes.
Beijinhos querida amiga.

Ema Pires dijo...

amigo C Valente,
Quero só participar modestamente ao conhecimento de Africa e da sua cultura.
Obrigada pela visita.
Bjs.

Ema Pires dijo...

Amiga Siry,
Es lo que acabo de decir más arriba, las mujeres no tienen porqué pelear con los hombre ni imitarlos. No tenemos ya que demostrar que somos más inteligentes, ni nadapor el estulo. Yo soy mujer y me encanta serlo con mis virtudes y mis defectos. Somos diferentes de los hombres y no hay porque cambiar nuestra manera de ser. Y "Vive la différence!"

Mário Margaride dijo...

Querida amiga,

Na tua casinha; ficamos de facto mais ricos, culturalmente.

A prova de isso mesmo. Está aqui bem patente neste belo post.

Onde nos mostras mais um pedaço de história, de Africa.

Uma boa, e tranquila semana.

Beijinhos

Ema Pires dijo...

Querido amigo Mário,
Muito obrigada pela visita e pelas tuas palavras.
Vou tentar fazer uns postes sobre África, essa grande desconhecida, para sair dos tópicos de sempre. Para uma grande maoria África é miséria, ignorância e primitivismo. Quero só demonstrar que nao é assim.
Beijinhos