miércoles, 3 de septiembre de 2008

A Poesia africana

A poesia africana conseguiu ao longo dos séculos um alto grau estético. Estudiosos de todo o mundo estão de acordo em a considerar das mais elaboradas e elevadas dos povos agrafos. Tem uma enorme diversidade de estilos, embora com um conjunto de rasgos, comuns a todas as literaturas orais do continente, certamente devido às trocas culturais. Entre eles, a construção minuciosa da história, o papel medianeiro que têm as cantigas entre os textos em prosa, certas fórmulas fixas para dar início e concluir a narração, e a noite com a sua atmosfera especial para contar, recitar poemas e cantar. A rima quase não existe nos textos dos povos da África tropical. No entanto as culturas influenciadas pelo Islão, como os Somalis e os Swahalis da África oriental, os Fabilia de Argélia e os Peuis do Sudão, têm rimas muito ricas, devido à influência estilística da poesia árabe clássica.
A poesia tradicional de África inspira-se da vida quotidiana e das forças superiores que regem o mundo, a natureza, os animais e o homem. É uma poesia que de alguma maneira tem um carácter sagrado e que tem o seu espaço durante os ritos religiosos, nas cerimónias das sociedades secretas e no o culto dos mortos. Este tipo de poesia sagrada representa em certos aspectos a coluna vertebral do ser interior do homem africano, já que leva à meditação cosmogónica e filosóficas sobre a vida, o amor espiritual e a morte.
Sobre a morte, há um esplêndido poema Kuba, (povo do Congo Central também conhecido como Bakuba, muito apreciado pela sua arte), que sintetiza esse concepção dos povos africanos sobre a vida e a morte:



Não há agulha sem ponta penetrante
Não há navalha sem lâmina afiada
A morte vem até nós de muitas formas.
Com os nossos pés pisamos a terra da gazela
Com as nossas mãos tocamos o céu de Deus
Algum dia futuro, no calor do meio-dia,
serei levado em ombros através do país dos mortos.
Quando morrer, não me enterrem debaixo das árvores do bosque,
porque temo as suas espinhas.
Quando morrer, não me enterrem debaixo das árvores do bosque,
porque temo a água que goteia.
Enterrem-me debaixo das grandes árvores umbrosas do mercado
Quero ouvir os tambores a tocar
Quero sentir os pés dos que dançam.



12 comentarios:

ANTONIO DELGADO dijo...

Muito bonito o poema e retracta uma realidade muito concreta: a solidão. Os mortos são recordados apenas enquanto alguém os memorize. Por excelência o cemitério é o lugar mais solitário que uma comunidade. Daí a necessidade do autor querer estar nos lugares mais ruidosos e onde a vida palpita, como é o caso do mercado e junto aos tambores e ao espessos de dança.

Um beijinho
António

Ema Pires dijo...
Este comentario ha sido eliminado por el autor.
Catalina Zentner dijo...

Como te han dicho, hay solidez en la construcción del poema, además, el universo africano es pródigo en mágica belleza.

Abrazos,

Ema Pires dijo...

Hola Catalina,
Gracias por tu visita y tu comentario. Una pequeña aclaración, la palabra "solidão" significa "soledad" en castellano. Cosas del idioma. Pero ya me parece un gran esfuerzo por tu parte venir a mi blog y leerlo en portugués. De todos modos la solidez también se puede aplicar aquí.
Te mando un gran abrazo y toda mi amistad hasta el otro lado del charco.

Carilisve dijo...

¡Hola Ema!
Estoy descansando un poco, por ello no te he vistitado tan frecuentemente. Pronto volveré a la rutina.
Bonita explicación sobre la poesía africana.
El poema que colocaste de verdad es hermoso, especialmente por la forma de describir esa relación entre vida y muerte. Las últimas tres frases o prosas, son una bellaza.
Besos caribeños.

Ema Pires dijo...

Hola Querido amigo Carilisve,
Ya lo pensé que estarías descansando tTe agradezco mucho que hayas venido por aquí.
Es verdad que este poema es precioso y creo que lo voy a traducir para ponerlo en mi otro blog que acabo de abrir "Historias de Africa", que estará solamente en castellano. Si me veo con ganas (y tiempo) haré otro blog en francés. El blog me relaja después de estar todo un día traduciendo.
Un abrazo "lisboeta" por ahora. Mañana vuelvo a España (y olé)

C Valente dijo...

Temos mais direitos quanto todos nós formos mais exigentes
Saudações amigas

Ema Pires dijo...

Amigo Valente, tem toda a razao.
Abraço

Siry dijo...

Realmente maravilloso ese paraiso llamado Africa. Cultura, naturaleza, vida, me encantan estos post.

Un abrazo

Ema Pires dijo...

Bienvenida querida Siry. Es lo que me pasa con tus blogs, también me encantan. En particular Recetas para el Alma.
Un abrazo

Nilson Barcelli dijo...

Tirando um ou outro poeta moçambicano ou angolano, pouco conheço da poesia africana.
Mas, do pouco que li, noto que os poetas africanos como que têm a terra, os usos e costumes, as crenças (o espírito africano, afinal) muito entranhado na alma, o que se traduz nas imagens que criam por palavras. Este aspecto, aliás, é bem explícito no poema que inseriste no teu belíssimo post.

Beijinhos.

Ema Pires dijo...

Muito obrigada amigo Nilson, pelas tuas palavras. Efectivamente, os africanos em geral e os poetas e escritores têm a sua terra africana muito dentro da alma. As histórias que contam têm sempre que ver com o dia a dia, a alegria e também a morte. O animismo está muito presente na memória africana. Como dizem eles: "Quando morre um anciao, morre uma biblioteca".
Um abraço